A Oração

A oração é a forma mais comum que temos de buscar o contato com o divino,  com Deus, com o que chamamos de espiritualidade. Todos nós buscamos de alguma maneira este contato. Seja para pedir ajuda, aplacar as dores ou mesmo trazer alento ou conforto.

Então refletir sobre a prece, sobre a oração é importante, principalmente se considerarmos que a palavra oração vem do latim  “oratio”  que significa: “falar daquilo que te vai à Alma”;  “tender para aquilo que é divino”.

Se o homem tende ao que é Divino significa que está indo naquela direção, que está indo para lá, não está puxando nada de lá para cá. Percebemos que a raiz da palavra, em sua origem, fala de doação, de oferenda.

É curioso pensar nisso porque, em geral, associamos a prece a uma reza, a um “pedido” e a praticamos somente para pedir!

O que significa que a palavra perdeu o significado com o passar do tempo, o que é uma pena, porque só pensamos em Deus quando temos dificuldades. Só buscamos o Divino, a espiritualidade, quando temos problemas, quando temos dores.

Isso reflete uma postura muito esvaziada da oração, uma postura esvaziada da própria noção do sagrado que temos em nossos dias!

Não tem sentido orar somente quando nos sentimos vazios, porque isso faz de nós eternos doentes e nunca médicos. Eternos egoístas e nunca generosos: sempre querendo absorver.

Mas se pararmos para analisar, vamos perceber que a oração, o Espírito do Sagrado, é o momento onde o homem transborda. É quando ele vive a enchente e não a vazante. É quando ele se aproxima da unidade!

Não é errado que se procure o sagrado quando temos problemas e não encontramos respostas, mas é mal que vivamos sempre fazendo isso, como um acordo de cavalheiros. E muitas vezes nem de cavalheiros, porque não há cavalheirismo algum em virar o santo de cabeça para baixo…

Vivemos como se fossem DOIS MUNDOS separados: Aqui eu tenho os meus objetivos egoístas de sobrevivência e conforto e só recorro ao Todo quando me falta subsídios para viver o meu mundinho. E sob esta ótica eu não vivo dentro de um grande mundo, eu não faço parte, eu não estou inserido. Eu coloco este grande mundo, que é externo, como patrocinador do meu pequeno mundo, para preencher as necessidades que eu tenho eventualmente. Ou seja, o nosso contato com Deus é meramente utilitário, para resolver os nossos problemas pessoais.

Ele vem até nós, mas nós não vamos até Ele. Nós não transbordamos, ficamos limitados no nosso mundinho e para completá-lo quando alguma coisa falta, porque não podemos resolver por nós mesmos, vamos lá e pedimos!

É o ciclo da vida do materialismo.

Mas como deveria ser o nosso contato com o sagrado?  De que forma deveria ser a nossa oração? Pois o que é oração, senão a expansão do nosso ser em direção ao divino.

É a nossa expansão, não é a nossa carência. É o nosso transbordar, não é a nossa vazante. É a nossa busca da unidade.

A tradição tibetana diz que o maior mau do homem, de toda a humanidade, é a “heresia da separatividade”.  É o homem achar que é separado, que é um ser independente de qualquer outro homem e é nisso que reside a raiz do egoísmo e do orgulho. A ideia da expansão do homem, do crescimento do homem, que é o destino de todos nós enquanto humanidade, é superar a separatividade e expandir, rumo a unidade.

E nesses momentos em que o homem conquista um pouco dessa visão ele vai além do pequeno eu. Estes são os momentos mais sagrados da sua vida. E esse é o momento da oração.

Dessa forma meus amigos, que possamos refletir sobre a oração, para que nossas preces não sejam um amontoado de palavras ao vento. Para que nossas preces passem a expressar menos os nossos desejos egoístas e muito mais a nossa ânsia de subir, através da sincera introspecção e da humilde auto análise, para que possamos seguir rumo à unidade, rumo à completude, em direção ao divino, ao Sagrado,

Em direção a Deus.

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